A saúde é um dos raros setores da esfera pública que representa um consenso entre as correntes econômicas privatizantes e estatizantes. Ambas entendem, alias como manda a Constituição Federal, que oferecer saúde de qualidade é um dever do Estado e mais do que isso um direito do cidadão brasileiro. No entanto, a cada dia encontramos novos contrastes de gestão que nos levam a refletir sobre o que fazer para superá-los.
Este é o caso mostrado hoje por A CRÍTICA dando conta da falta de remédios básicos para o tratamento de doentes renais crônicos em Manaus há mais de um ano. São, conforme a denúncia dos próprios pacientes, oito tipos de medicamentos que compõem um coquetel essencial para garantir-lhes qualidade de vida, uma vez que pelo caráter crônico da doença apenas um transplante é capaz de curá-los. A falta destes medicamentos indicam um problema na gestão dos estoques, pois a demanda é constante e regular, daí ser necessário a reposição dos remédios antecipadamente. É algo esperado, previsível e que não escapa ao olhar de qualquer gestor minimamente comprometido com o serviço.
É certo que na administração pública há uma série de prioridades, mas nenhuma deve estar acima das ligadas a saúde. Sem remédios, o destino de muitos amazonenses é a vida de qualidade baixa e ao final uma morte terrível. Ninguém, certamente, deseja isso para o próximo. O que acontece então?
A equação torna-se mais complexa a medida em que vemos o Governo do Estado bater seguidamente recordes de investimento na área da saúde. Em todas as mensagens enviadas a Assembléia Legislativa do Estado em seus sete anos de governo, o atual mandatário destacou a decisão política da administração dele de investir mais - muito mais - do que manda a Constituição. Em termos nominais, por exemplo, foram mais de R$ 1 bilhão de investimento anuais nos últimos quatro anos.
Não podemos, com isso, afirmar que dinheiro não falta. É possível que falte, mas fica patente que a ausência de remédios na prateleira de uma unidade de saúde há mais de um ano representa incúria. No presente caso, salta mais aos olhos do leigo o fato de há poucos dias o governo ter inaugurado um novo Pronto Socorro 28 de Agosto, uma obra suntuosa e que em seus interiores conta com equipamentos de ponta. Neste sentido, espera-se que tal iniciativa seja um tijolo a mais e não o único no edifício da saúde pública amazonense.
Fonte acritica