As filas, mostradas ontem, pelas emissoras de TV para obtenção do Passa Fácil por estudantes, são um forte indicador dos problemas que esse modelo enfrenta. A operacionalização utilizada para esse serviço é precária em todos os sentidos e representa um retrocesso.
Os avanços tecnológicos não conseguiram ser parte da tomada de decisão que envolve o setor produtivo, o Legislativo, o Executivo e os usuários da passagem de ônibus diferenciada. A forma adotada está longe de tratar essa clientela com respeito. Ao contrário repete uma cena que denuncia a precariedade de serviços e atualiza velhos dilemas com os quais convivem amplos setores da sociedade.
O Legislativo pode atuar no sentido de promover mudanças que representem avanço para a política de concessão de passagens com valores diferenciados. Tem o dever e o tempo para colocar o tema transporte coletivo, no qual a passagem está incluída, na ordem do dia, fazer funcionar as comissões técnicas e tornar mais largo o espaço de discussão, acima de tudo, o Parlamento é cobrado para tratar desse tema com a urgência e a competência que ele reivindica. Até hoje o Legislativo não tem se ocupado dele, oferecendo subsídios que possam estabelecer novos parâmetros de qualidade.
As discussões feitas tradicionalmente se dividem entre os que apoiam a proposta governamental e os que são contrários a ela. Tem sido tímida a utilização de estudos técnicos que poderiam apontar saídas mais avançadas. O Poder Legislativo, se conseguir ir além de uma conduta plebiscitária, fará a diferença na discussão que precisa acontecer nessa área. Lamentavelmente, ano após ano, a questão é transformada em cabo-de-guerra e, ao final, prevalece a vontade de uns poucos em detrimento da maioria e muito distante de uma política que seja o início da implantação de um modelo correto, justo e moderno na passagem diferenciada, capaz de incentivar estudantes e estabelecer alianças estratégicas com os demais setores.
Fonte acritica