São Paulo - Habitualmente solitários em seus afazeres, convivendo apenas com seus personagens imaginários, os escritores sentem necessidade de trocar experiências, especialmente com seus pares.
É o que explica, por exemplo, o número crescente de encontros literários pelo País, a maioria sempre atraindo grande público. E alguns desses debates estão chegando agora ao formato do livro, suprindo a necessidade de se documentar diálogos que merecem a eternidade.
Um bom exemplo é “Amor em texto, amor em contexto”. Trata-se da transcrição de uma conversa entre Ana Maria Machado e Moacyr Scliar realizada na Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro no ano passado, a convite da editora. Durante várias horas agradáveis, a dupla conversou sobre como o homem, apesar de viver em uma época de relações efêmeras e virtuais, ainda busca o amor eterno.
Debate
“Eu particularmente gosto desse tipo de debates, de trocar ideias sobre o processo de criação literária - por incrível que pareça, a gente sempre aprende”, conta Scliar. “Há também o aspecto do mútuo apoio - escrever é uma coisa muito solitária, e esses encontros são ótimos nesse sentido.”
A afinidade, especialmente intelectual, é condição necessária para que o diálogo frutifique. Ana Maria, por exemplo, não se sente à vontade diante de um gravador ligado. “Ainda mais hoje em dia, quando sempre há o risco de que essa conversa seja editada e descontextualizada, ao mesmo tempo que é multiplicada ao infinito na internet.”
Ubiratan Brasil
Da Agência Estado